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Compactação

Agregando o uso da terra em grandes sistemas de exploração florestal e agrícola, com carácter intensivo ou extensivo, e tendo presente o tipo de solos dominantes (pouco profundos e pobres em matéria orgânica), clima (com chuvas concentradas no período Outono-Inverno) e o uso em larga escala de práticas culturais não conservativas (lavouras e gradagens em excesso), não é difícil afirmar que o diagnóstico sobre o estado da compacidade dos solos de Portugal é mau.
Pese embora que nos últimos anos, através das medidas agro-ambientais, os agricultores tenham adoptado sistemas de uso da terra mais conservativos, como os sistemas de não mobilização e/ou mobilização mínima e reduzida, a pré-compactação dos solos agrícolas não foi previamente removida, mesmo que nos possamos questionar sobre a viabilidade técnica e económica para remover a compactação das camadas de solo mais profundas. Sabe-se que esta situação é tanto mais grave, quanto sabemos que Portugal é dos raros países da Europa que praticou e continua a realizar lavouras profundas na preparação dos solos para a instalação de vinhas e outras fruteiras, que pratica a técnica de vala e cômoro em encostas declivosas para plantar floresta, que na agricultura extensiva pratica o pastoreio e que na intensiva é obrigado a regar, factores esses que aumentam os riscos de compactação irreversível dos solos.
A compactação posiciona-se como uma das principais ameaças à degradação dos solos agrícolas e florestais e em Portugal nada ainda foi feito para mitigar os seus efeitos negativos na sustentabilidade do uso do solo e das importantes funções que este desempenha na sustentabilidade do ambiente.

A compactação dos solos agrícolas é consequência da degradação da sua estrutura, resultante, na maioria dos casos da circulação de máquinas em solos com excesso de humidade, ou da sua pulverização excessiva devida a operações inadequadas de mobilização do solo ou, ainda, do sobrepastoreio.

Como resultado, os solos tornam-se menos permeáveis, com maiores riscos de escoamento superficial das águas ficando, assim, mais expostos aos processos de erosão.

Mais Informação:

Manual básico de práticas agrícolas - Conservação do solo e da água